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O homem mais sexy do mundo segundo a Revista People.

20 dezembro 2005

Mulher de nome forte


Maria era mulher de nome forte. Tinha a responsabilidade de ser dona de seu destino e de mais alguns outros. Tinha marido e dois filhos. Tinha trabalho e algumas amigas. Casou-se com um homem especial que admirava e enaltecia a personalidade da mulher, sem que tenha se tornado escravo dela. Como casal lidavam bem com os sacrifícios cotidianos de cada um. Sabiam o quanto eram importantes um pro outro. E levavam bem a vida ocupada. Descobriram que com os dois trabalhando, ao contrário do medo inicial de terem os filhos criados por uma babá, cada um poderia se manter em empregos bons. Bons de qualidade de vida. Não precisavam se submeter a empregos que os sugavam em troca de um salário maior que pudesse sustentar a casa. Acharam o equilíbrio entre suas ambições e seus sonhos. Como mulher, Maria era realizada, alegre, tranqüila. Fazia tudo o que tinha vontade, sem que as pressões dos costumes, da tradição, da família ou da sociedade a afetassem. Ele era feliz.
Amélia sofria bastante. Tinha que cuidar do marido. Ele era chato e exigente. Ela fazia tudo para agradá-lo e ele só fazia reclamar. Amélia tinha aprendido a não ter mais opiniões, sonhos, desejos ou ambições. Não formavam mais um casal. Não era aquele o homem com quem casara. “Mas a vida é assim”, pensava ela. “São minhas obrigações de esposa, é meu dever cuidar do meu marido”. Amélia era uma sombra. Mas ela amava seu marido apesar de tudo. Seus filhos já eram grandes e tinham suas famílias, moravam longe. Lia em revistas femininas, modernas, que devia ser uma mulher independente, ousada, dona de si. E pensava como aquilo tudo era irreal. A vida não é assim. A vida é cuidar da família. Amélia era resignada, dedicada, solícita. Mas sim, ela era feliz.
Foi repentino. Sem nenhum sintoma ou aviso, o marido de Maria teve um derrame. Maria sofreu muito. O marido sobreviveu, mas ficaram muitas seqüelas. Após oito meses internado, ele voltou para casa. Ele não podia mais andar e falava com dificuldade. Tanto sofrimento o tornou um homem amargurado. Maria passou os oito meses, dia e noite, ao lado do marido, no hospital. Ela amava muito esse homem. Maria não queria deixar uma enfermeira cuidando dele em casa. Ela mesma cuidaria. Largou o emprego. A poupança que tinham e a pensão que o marido recebia por invalidez dariam para sustentá-los. Os filhos já estavam grandes, com família, encaminhados. Teriam um padrão de vida bem menor, mas não passariam fome.
Maria Amélia de Bragança e Silva era mulher de nome forte. Cuidaria de seu marido. Sentia que era seu dever cuidar do homem que amava. Fazia de bom grado, de consciência tranqüila. Não considerava muito a ingratidão do marido. Sabia que ele estava muito amargurado e além do mais ele vinha melhorando. Imaginava o quão difícil devia ser passar por tudo aquilo. A relação entre eles mudara. Mas a força era a mesma. Eles se amavam. Não havia um momento de arrependimento, de negação ou desespero. Não ficava imaginando como seria se ele estivesse bem. Aquela era a situação e ela tinha que lidar com isso. Maria era tranqüila, dedicada, solícita. Era resignada, mas realizada. Maria era alegre. Ela fazia o que tinha que fazer. Maria Amélia fazia tudo o que tinha vontade, sem que as pressões dos costumes, da tradição, da família ou da sociedade a afetassem. Ela sempre foi assim. Mulher admirável era Maria Amélia. Mulher feliz era Maria Amélia.

5 Comments:

Anonymous Carol said...

Não gostei.Vida deprimente da Amelia.Vida falsa da Maria.Tenho medo de casar com um homem e pensar que poderia ter sido melhor com outro e bater arrependimento.Tenho medo de ter deixado o amor da minha vida passar por mim e eu, não fazer nada para ele me notar.Mas uma vez ouvi que tem que deixar tudo que amamos livre,porque se voltar pra gente,é porque é pra ser nosso mesmo.
Não sei...eu queria ser mais feliz.Eu ando meio perdida.

Beijos.

20 dezembro, 2005 18:01  
Anonymous Carol said...

Sem me corrigir,escrevi rápido porque queria deixar a emoção tomar conta,assim eu me solto mais.
Grata.

20 dezembro, 2005 18:03  
Anonymous Fiori Voniere said...

Adorei! mesmo!!! otima ideia e ficou lindamente escrito! te amo...

26 janeiro, 2006 12:59  
Anonymous Wal said...

"Acharam o equilíbrio entre suas ambições e seus sonhos."
Adorei essa frase. Vc escreve muito bem, cara...
Mas gostei mais ainda do poema abaixo.
I'm such a sucker for poems. :)

26 janeiro, 2006 15:10  
Blogger Lubi said...

Li e não comentei.
=P
Eu sou a maluca.

07 julho, 2006 16:48  

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