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O homem mais sexy do mundo segundo a Revista People.

21 agosto 2005

O Palhaço

(em algumas músicas...)
Ele anda pela rua. Tem roupa de palhaço, cara de palhaço, jeito de palhaço, o que ele é? Um palhaço. Se bem que também é um pouco mímico, como todo palhaço aliás. E como todo palhaço, também é um pouco bobo. Um pouco bobo para mim, porque para você ele seria muito bobo. E a cada moça que passa as portas de seu peito se abrem e seu coração sai a voar na mímica e na ilusão. E a cada moço que passa ele encosta-se ao balcão e oferece uma bebida, na mímica e na sensação. Uma moça diz sorrindo que já está apaixonada. Um moço diz sorrindo que está a trabalho. A moça diz para lembrar-se, o moço diz para sorrir-se. Ambos se divertem, mas o moço continua a andar e a moça passa a voar. Não sei qual está certo. Eu só sei que confio na moça e na moça eu ponho a força da fé. Somos nós que fazemos a vida. Como der ou puder ou quiser.
E na porta automática do hospital que se abre ele entra. E o senhor que tosse lhe diz para chegar mais. Com o sorriso sincero sempre presente, ele chega mais. O velho não sorri, ainda, mas deixando seus olhos brilharem, dá um peteleco no nariz de palhaço do palhaço. O palhaço dá um peteleco no respirador do velho. O velho não esperava isso, mas não ficou bravo, ou chateado. Antes ficou espantado, depois maravilhado. O velho se empolga e puxa as calças de palhaço do palhaço. Sorte que todo palhaço usa suspensórios. E o palhaço ameaça puxar as calças de pijama do velho, mas o velho querendo ser esperto já estava a segurar suas calças. Nisso o palhaço enrola no velho um lençol que se finge de camisa-de-força, gira ele, e com o batom roubado da moça que passa, ele pinta o respirador de vermelho e pinta um sorriso vermelho em volta da boca que tosse. Com o espelho roubado da moça que passa o velho se vê palhaço. E como todo velho palhaço ele se sorri todo, se sorri naquele sorriso que contagia a criança que passa. Que contagia a mãe, que contagia de novo o velho que agora também é palhaço.Foi quando o velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou que ainda era moço pra subir no terraço e dançou.
O palhaço saiu dançando e sorrindo (acho que não é mais necessário dizer que o palhaço está sorrindo, é redundância ou pleonasmo. O palhaço está sempre sorrindo. Assim sendo, a cada vez que você ler “palhaço”, lhe peço humildemente, leia: “O palhaço que está sorrindo seu sorriso sincero e cantando sua canção de alegria e transbordando felicidade, contagiando quem se deixa ser fraco e contagiar.”. Obrigado.). O palhaço saiu pelas ruas e sorria para velhos e novos, estranhos amigos, que sorriam de volta, sempre. Quase sempre. Há aqueles que não percebem a alegria no estranho, há aqueles que não percebem a alegria em si. Não percebem porque têm pressa, porque têm raiva, porque têm desconfiança no coração. Mas isso tudo passa, e quando eles reencontrarem o palhaço no outro dia de suas vidas, eles irão sorrir. Todos sorriem. Todos se lembram de memórias felizes, se deitam em braços amigos, se abrem para tomar a forma de leitos amigos. Por mais que o sofrimento perdure, não vai conseguir sentar. É que os momentos felizes, tinham deixado raízes no seu penar.
A criança arregalou os olhos. Não respirava. Depois passou o espanto e não sabia o que fazer. Sabia que não queria tirar os olhos daquele palhaço. Mesmo atrás das barras da mãe. É aí que entra o pirulito. Aquele pirulito de palhaço todo colorido, redondo e todo doce. Um caracol (porque espiral aquilo não é, espiral é uma palavra que não merece significar toda a magia de um pirulito) de sabores iguais que se repetem e mudam nas cores que o formam. Lógico que a criança bem comportada olhou para a mãe. Lógico que a mãe bem comportada sorriu consentindo. A criança pegou o pirulito, abriu o bocão, mostrou a língua para o pirulito e fechou os olhos porque nenhuma imagem poderia diminuir aquele momento do paladar. Passada a cerimônia de lambedura, a criança já reconhecia no palhaço o amigo que toda criança tem. Todos voavam na cena, a moça triste que vivia calada sorriu, a rosa triste que vivia fechada se abriu.
O homem que passava não conseguia achar uma razão para ser triste. Procurava, naquela procura pela exceção, nem que essa exceção fosse a que confirmasse regra. Os olhos de todos sorriam. Mesmo os que não estampavam no rosto e demonstravam sua felicidade, e que queriam passar desapercebidos e nem davam bola para o que se passava ali, mesmo estes estavam leves no espírito. Não é preciso sorrir sempre, só se deve sorrir quando se tem um sorriso sincero, uma razão para não conseguir segurar os lábios presos. Não se deve, também, tentar segurar uma risada, quando essa risada só exprime alegria pura. Não se deve gostar da tristeza, admira-la, reverencia-la. Mas a tristeza passa pela gente, nos ensina muitas coisas. A tristeza também é sincera, não engana. E sempre tem o profundo desejo de se tornar alegria. Como a larva, para quem você só precisa construir o casulo. Cada qual a seu tempo, a cada momento se faz mostrar. Esse tempo já me ensinou, ando devagar porque já tive pressa. Levo esse sorriso porque já chorei demais. Descobri que é melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a luz no coração. Hoje eu me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe. Eu só levo a certeza de que muito pouco sei, nada sei. Cada um de nós compõe a sua própria história e cada ser em si carrega o dom de ser capaz, o dom de ser feliz.

9 Comments:

Anonymous Natalia! said...

Você e os palhaços né? Haha ;

bom...será que a gente vai se trombar na balada algum dia? HAUHA

bjs moço ;*

24 agosto, 2005 22:28  
Blogger Carolina said...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

25 agosto, 2005 18:35  
Blogger Carolina said...

Era um comentário-propaganda,por isso apaguei,nada de mistérios...
Te falei que a pomada já está aqui?
Até logo,beijinhos

25 agosto, 2005 18:36  
Blogger Daniel said...

vou ler!
nao agora pq to com sono, mas vou ler!

26 agosto, 2005 22:41  
Anonymous Daniel said...

EBA, MINHA POMADA!!
publiquei seu texto, espero que o palhaço nao fique zangado.

27 agosto, 2005 12:31  
Anonymous fiori said...

OI RODRIGO! LOVE YOU...

31 agosto, 2005 16:05  
Anonymous Luciana Rizzo said...

Olha, que bonito! Gostei desse! As citações musicais ornaram muito bem...

14 setembro, 2005 14:13  
Blogger Lubi said...

Texto especialmente belo.



E hoje, você está especialmente encantado, tenho que te dizer.
Beijo.
:-*

02 julho, 2006 21:59  
Blogger Mariana said...

Vc eh bom nisso, hein? ;)


Beijooo =*
Ahhh! Tbm quero um pirulito!

23 maio, 2008 19:34  

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